Ugly Beauty

 

Tenho-me debruçado sobre a sustentabilidade no sector do vestuário, mas o crescimento fervoroso da indústria da beleza tem-me feito questionar! A indústria da maquilhagem não será um sector tão ou mais poluente que o vestuário?

ilustração baseada na marca Chiaria Ferragni

ilustração baseada na marca Chiaria Ferragni

Vejamos, são tantas as embalagens que chega a ser pornográfico a quantidade de lixo que acúmulo, quando compro produtos novos e não sou uma consumidora acérrima. A verdade, é que consumimos muito pela função, mas também pelo objeto. E há efetivamente embalagens que são um sonho. Lembro-me que quando comprei o primeiro batom da Rodin não deitei ao lixo a embalagem, derreti um outro batom e voltei a encher a embalagem. Mas reutilizar, será isto o suficiente ?

Já tinha falado da indústria da beleza aqui, mas vamos lá a uma contextualização!

Em 1907 foi criado o plástico e em 1950 começou a ser usado de forma regular em acessórios diários em alternativa ao vidro e ao metal por ser mais barato. Habituámos-nos de tal forma que não estranhamos que os produtos da Sephora ou outros venham embalados em plástico, mas que outrora eram entregues em embalagens de cristal e em tubos recarregáveis. Já não bastava a Rihanna com a Fenty Beauty, a Kim Kardashian com a KKW beauty, a Kylie Jenner com Kylie Cosmetics, a Victoria Beckham com a Estée Lauder, a Claudia Schiffer Makeup, temos agora a parceria inevitável da Chiara Ferragni com a Lâncome. É um trajecto tão óbvio, que parece disco riscado! Sendo todas elas tão influenciadoras, que papel têm no caminho inevitável para a sustentabilidade?

Na conferência “O Futuro da Moda” promovido pela APICCAPS, foi notório a necessidade da mudança. A tendência comprova que as marcas estão à procura de novos e diferentes pontos de vista junto das influenciadoras, para colaborar de forma criativa além das publicações patrocinadas do Instagram. Já as influenciadoras tem a sua oportunidade de brilhar se defenderem um ponto de vista específico! pois os Influenciadores não influenciam apenas, as influenciadoras com maior sucesso tem algo a dizer e são respeitados por terem uma visão sobre uma determinada área.

O mercado mostra que os consumidores estão cada vez mais interessados na mudança e querem abraçar uma causa. A tendência mostra que este fenómeno acontece por 3 motivos:

- todos se interessam por animais;  

- temos amigos e familiares que estão a ser afetados pelo planeta;

- é fácil começar a reciclar. 

Infelizmente habituámo-nos ao desperdício, mas promover uma “beleza sustentável” não é só reciclar ou reutilizar! É importante ir mais a fundo. O desafio é aprofundar e perceber o impacto real em todo o processo. Por isso, a sustentabilidade da beleza não é só dar um novo uso à embalagem, é importante perceber de onde vem, como é distribuída, como é entregue ao mercado e como é que volta a ser entregue ao planeta.

Li num artigo na Vogue, que as pesquisas no Google por "Vegan Beauty" tem duplicado a cada ano desde 2012, e as marcas “cruelty-free” são cada vez mais notórias. Surgiram 175% novos produtos vegan nos últimos cinco anos. Mas estas novas marcas, estão a competir com os bens alimentares? Como estão a ser defendidas as pessoas em toda a cadeia de valor?

Há pouco tempo descobri um decumentário de como é feito o glitter. Foi o que deu o nome a este artigo! The Ugly Face of Beauty: Is Child Labour the Foundation for your Makeup?  

Como referi no artigo anterior, a sustentabilidade não pode ser reduzida à matéria prima. Sabiam que são produzidos 120 biliões de embalagens por ano? e nós marcas e consumidores temos de apostar em novas abordagens. Lembro-me de estar a fazer uma compra online e no momento do shipping ser-me dado duas opções: pretende uma embalagem para guardar e estimar o seu produto? ou pretende uma embalagem para descartar?

Achei esta abordagem super interessante e que vem reforçar a importância do RePack!? Lembram-se? Falei dele aqui

Para mim, o consumidor é tão ou mais responsável que a marca, por isso ao lançar-vos estas minhas dúvidas no instagram recebi um feedback espetacular sobre as vossas formas de consumo:

  • “Se tiver muitas embalagens não compro”

  • “Privilegio o vidro ao plástico”

  • “Faço a minha própria maquilhagem (DIY)”

  • “Dou um novo uso aos meus frascos de vidro”

Vejo este sector muito próximo da alimentação e a Maria Granel tem uma palavra nesta área! Tem promovido vários workshops sobre desperdício e comercializa marcas sustentáveis. Envio-vos uma lista de todas as marcas que partilharam comigo:

Tal como indica o nome na Maria Granel é possível comprar a granel, por isso questiono-me: não faria sentido as Sephora(s) desta vida, voltarem ao que eram? E apostar em maquilhagem a granel? Seria um passo gigante e as gigantes tem uma responsabilidade acrescida. Certo?

Perguntei à Ana Costa da BaseVille: — Será a vertente do granel, a melhor opção? A Ana respondeu:

  • “Alguns produtos de maquilhagem/ cosmética são bastante reativos. Motivo pelo qual não podem ser vendidos (de forma simples) a granel. Têm de ser protegidos de forma a que não percam qualidade e se consiga garantir um período longo da vida útil do produto (senão estamos a perder recursos valiosos). O retinol é fantástico em termos de anti-envelhecimento mas é muito reactivo. É muito difícil captar todo o seu poder. Por isso decidiram encapsulá-lo, ou seja, tem uma embalagem adicional, mas que é necessária.”

  • “Uma outra questão é a responsabilização do produtor. Todas as marcas (incluindo as de cosmética) ou importadores são responsáveis de retomar e valorizar os materiais das suas embalagens e para isso pagam à entidade gestora de resíduos pelas embalagens que estão em contacto com o produto, é o chamado “eco valor”. E estas embalagens são sempre delas, ou seja, quando chega ao gestor de resíduos, regressa à marca para usar novamente. Com esta medida pretende-se que as marcas sejam também responsáveis no design dos seus produtos, reduzindo o número de embalagens. Infelizmente por enquanto apenas se aplica às embalagens em contacto com o produto. Por exemplo: um creme normal, ou uma base ou um batom. A embalagem em contato com o produto paga ecovalor, tem potencial de ser valorizado e voltar à marca. A embalagem de cartão, de fora, não paga ecovalor. Não volta à marca, mas vai para um reciclador a granel.”

O consumo tem de mudar e efetivamente existe muito desperdício. Quantos rimeis precisamos? Quantos vernizes vão para o lixo? Certamente haverá mais, mas partilho algumas contas de @instagram que falam sobre desperdício:

Estas partilhas fazem-me querer que estamos cada vez mais conscientes e que estas marcas tem tido um papel fundamental para a mudança, no entanto influencers como @HelenaCoelhooo poderão ter um papel ainda maior na mudança efetiva! As influenciadoras são um poderoso canal para lançar tópicos relevantes para a sociedade, como é o caso da sustentabilidade! Não nos esqueçamos que o público olha com maior atenção para as pessoas que respeitam. Por isso, Influenciadoras esta é a vossa oportunidade para educar o consumidor final, criar uma conversa honesta sobre o tema e até ajudar as marcas a encontrarem uma forma de dialogar. A tendência mostra que as marcas estão a acolher causas, por isso não chega ser “líder” é necessário agir! Helena “You Have a Voice!”. 

Até lá partilho este vídeo da Helena Coelho em parceria com a Sociedade Ponto Verde! Já é um primeiro passo 💪🏼https://youtu.be/uf_ajW2UbVE

p.s. Obrigada pela sabedoria Ana!

Joana

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