Como a IA impacta as novas gerações?
Hoje dei a minha última aula de Marketing e Comunicação na ESAD e reparo que os poucos programas de TV estão a chegar ao fim.
A nova geração, não vê tv, não lê jornais e não escuta rádio. Todo o conteúdo é consumido via tiktok, instragram e youtube. Tivemos a Ana Maio da Miss Pavlova a falar da sua ativação de marca via press kit enviado à imprensa. Passaram 14 anos! Hoje é tudo muito diferente, o impacto da imprensa escrita acabou.
O Grupo Impresa está a investir em larga escala nos podcasts, onde a publicidade já é inserida de forma personalizada e de forma bem mais económica (escutar publicidade da BMW).
Estamos assistir a uma verdadeira revolução nos meios de comunicação.
World!
Recomendo este podcast ©45grauspodcast
Hoje falamos também sobre o acesso à informação e meios de pesquisa. Antigamente tínhamos o Google, hoje temos o chat GPT. Como o método de pesquisa mudou, as estruturas do nosso cérebro também estão a mudar.
O acesso à informação agora vive de chavões sem profundidade e já não usamos palavras chave para aprofundar temas. Nós solicitamos uma resposta especifica.
O próprio algoritmo do instagram promove isso. A META promove a superficialidade. Como vai a nova geração votar, se a sua fonte de informação são chavões do tiktok?
A nossa pesquisa mudou!
Os consumidores mudaram a forma como pesquisam. No que diz respeito à IA generativa, é importante notar que "está a reescrever as regras da pesquisa, à medida que as consultas se transformam em perguntas e a pesquisa se torna hiperpersonalizada". O foco era saber "o quê?" que as pessoas pesquisavam, hoje em dia é o "como?".
O pago agora é gratuito!
Nem todos estão entusiasmados com a mudança. Os editores estão completamente assustados. A mudança aumentou os receios de um futuro "zero click", onde o tráfego de referência de pesquisa - o pilar da web que sempre conhecemos desapareceu.
Os conteúdos exclusivos da Forbes e de outros meios pagos são agora disponilbizados gratuitamente para qualquer pessoa na Internet. Se a forma de aceder à informação é diferente, tudo muda! O clickbait, o pagar informação deixa de fazer sentido. Então como vamos sustentar financeiramente a informação independente? Estará a democracia ameaçada?
Eu própria só vejo televisão para ver o telejornal.
Como a inteligência artificial nos influência?
Retomei a leitura do artigo da MIT sobre a inteligência artificial. IA significa o fim da pesquisa na internet tal como a conhecemos. Se anteriormente ao colocar palavras chave no Google, recebíamos uma lista de ligações. Hoje recebemos uma única resposta. Mas a mesma resposta pode ser diferente de acordo com o nosso comportamento / perfil on-line. Tal como acontece com o algoritmo das redes sociais. Tal como acontece na Netflix. A imagem que nos é proposta de uma série já é baseada no nosso perfil. Ou seja já existe um viés na resposta e é preocupante. A IA pode inclusive inventar a resposta.
Neil Postman no livro que escreveu em 2005: “Amusing Ourselves to Death” faz um paralelo entre a sociedade moderna e o livro "1984", de George Orwell.
Sugere que, enquanto Orwell alertava sobre os perigos do controle autoritário e da censura, Aldous Huxley, em "Admirável Mundo Novo", sugeria que o verdadeiro perigo poderia vir da manipulação das massas por meio do prazer e da distração, e não da opressão direta.
Em "Amusing Ourselves to Death", Postman afirma que, ao nos deixarmos seduzir pelas imagens e pelo entretenimento superficial da televisão, estamos a sacrificar a nossa capacidade de pensar criticamente, perdendo o poder da razão e da reflexão.
Como acedemos à informação?
Quem quer aprender se pode simplesmente saber?
A informação que nos era apresentada anteriormente tinha por base a sua fiabilidade e relevância. Ou seja, após colocar palavras chave eu tinha acesso a inúmeros links e eu escolhia o que pesquisar.
Durante 25 anos o Google usou esse método, mas o conceito de acessibilidade mudou. Porque a IA supostamente ajuda nos a obter respostas simples a perguntas complexas!
Se a pergunta for :”Quem é que tem razão, a Palestina ou Israel?” A resposta não pode ser simples. Há demasiadas camadas, história, seres humanos envolvidos!
Há aqui perigos reais. A pesquisa mudou, porque querem transformar a complexidade do mundo um sítio simples.
Livro: "The Rise of Digital Repression" de Steven Feldstein
"The Rise of Digital Repression" de Steven Feldstein explora como os governos autoritários ao redor do mundo têm usado tecnologias digitais para reforçar o controle sobre suas populações. O livro detalha como a vigilância, a censura e o uso de algoritmos têm sido empregados para suprimir a oposição política e manipular a opinião pública.
Feldstein analisa como países como China, Rússia e outros regimes autoritários têm implementado sistemas sofisticados de vigilância e controle social restringindo a liberdade de expressão.
O livro apresenta uma análise detalhada dos impactos dessas práticas na sociedade, incluindo as implicações para a democracia, os direitos humanos e a governança global. Feldstein alerta para os riscos de uma crescente centralização do poder nas mãos dos governos e empresas de tecnologia, e como isso pode criar um cenário global onde as liberdades individuais estão cada vez mais ameaçadas.
O livro faz uma análise crítica sobre o uso da tecnologia para controlar e reprimir populações, destacando os desafios que surgem para a proteção das liberdades individuais e a promoção de uma governança digital responsável.
Qual a fiabilidade desta tecnologia ?
A resposta da IA é dada com base em percentagens. Desde quando é que quantidade é qualidade? Há muito risco envolvido.
Reparo nas aulas, que as redes sociais deveriam ser o ponto de partida, mas ela hoje é para os jovens a partida e a chegada. A profundidade de temas complexos como a política, a cultura ou a economia desaparecem.
Os donos da IA gabam-se de ser um modelo inteligente e autónomo. Mas quando perguntamos qual a lógica sobre a resposta dada, muitos não sabem responder. Como assim, podemos ser influenciados sem sermos culpados?
O próprio modelo vive financeiramente dos programadores, empresas e indivíduos que pagam pelo acesso. Não é preciso publicidade para viver. Com o IA já não decidimos o que queremos ler, ver ou ouvir. Esta fusão da resposta é que condiciona a nossa liberdade.
Que nunca a liberdade seja tomada como garantida. Só quem viveu sem liberdade sabe o que ela significa.
Recomendaram-me estes livros:
Livro: Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley
Livro: Amusing Ourselves To Death
de Neil Postman
Livro: Eu, Humano de Tomas Chamorro-Premuzic
Recomendo lerem os artigos anteriores sobre “O Tempo e Consciência Humana” e “Trump e as Big Tech”
Bons negócios
Joana