A crise das oportunidades

 

“O consumo global de moda terá de diminuir 20%.” , foram as palavras de um industrial têxtil há duas semanas.

Illustration by me  The Red Wolf

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A crise está à porta, não chegará no final do ano, já chegou e com força. Várias são as empresas têxteis a fazer despedimentos coletivos e várias são as empresas de calçado a fechar. No entanto, temos de olhar este momento não com receio, mas sim como uma oportunidade. 

3 acontecimentos a considerar:

  1. As marcas estão a encerrar lojas físicas em todo mundo, devido ao consumo online. Este fenómeno irá exigir menos stock nas lojas físicas, obrigando a diminuir consideravelmente o volume em todo o mundo.

  2. Diz-se por aí que a UE, fez um acordo “secreto” com a Inditex de forma a manter os refugiados em sítios estratégicos, como é o caso da Turquia, agora com a moeda bastante desvalorizada.

  3. Já o Bangladesh e a China continuam a ter preços mais competitivos e uma boa performance na execução.

Se o consumo global diminuir, as marcas terão de se concentrar em fazer stock. Num artigo do BoF a plataforma Boohoo.com, fundada em Manchester em 2006, opera com um modelo de "teste e repetição", no qual produz pequenos lotes e aumenta a produção daqueles que vendem melhor. 

Por outro lado, para encurtar os prazos de entrega, não há outro caminho a não ser fazer a produção local, o que valida a teoria Inditex que opera em Espanha sempre com o apoio da produção de Portugal, Turquia e Marrocos, ao invés dos tradicionais centros de produção asiáticos.

No entanto se o modelo for menos produto e mais stock o foco “Stop thinking 'product' and start thinking productions” volta a virar-se para o Bangladesh e China. 

É aqui que Portugal entra como uma mais valia. Focando o seu serviço em três grandes áreas: 

  • inovação têxtil e sustentabilidade, oferendo um produto inovador, de valor acrescentado respeitando a economia circular. (Tintex)

  • plataforma de conhecimento, design e controlo têxtil, de Portugal para o mundo. (OSD)

  • produtores premium, executando um produto que exige uma capacidade técnica mais elevada.

Antecipando este fenómeno, a Inditex está já a preparar a integração das lojas físicas com o digital. Concentrando-se em lojas grandes e atraentes, onde os clientes podem experimentar as peças de roupa, que irão adquirir posteriormente online. 

Por consequência as lojas físicas passarão a ser espaços vivos para experiências de marca e produto, para aprender, inspirar, ver, experimentar e co-criar.

Joana Campos Silva 

 

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