Future Skills

 

Não podemos falar sobre educação sem falarmos sobre o futuro do trabalho. Quando pergunto aos meus clientes: “Como vê o futuro?” nem todos me conseguem dizer. Quando se fala de futuro, bate sempre uma insegurança. E quando se pensa no futuro dos nossos filhos, o medo instala-se. Vamos falar sobre as competências do futuro?

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Ao longo das últimas décadas, existiram tantas, mas tantas evoluções e o ensino parece não querer mudar. Continuamos aprender com um professor a debitar informação. Estranho não?

Já tinha referido aqui, que um cliente disse-me que para ele “o futuro é a agilidade mental.” Aquelas palavras entraram-me como uma flecha. Tenho falado muito com os clientes sobre a dificuldade de recrutar pessoas flexíveis. Sendo o mercado nacional construído por PMEs e micro-negócios uma das competências chave é “Agilidade” e é tão, mas tão difícil recrutar pessoas com esta competência. Quando ouço, “isso não é a minha função”, penso logo, que aquela pessoa ainda não entendeu em que realidade vive e que muito dificilmente irá ficar naquela posição. Numa grande empresa, é fácil ocuparmos uma função de especificidade, mas em micro-negócios necessitamos de muitas competências diferentes. Quando faço recrutamento por vezes olho mais para os hobbies, do que para o percurso profissional.

Por isso tenho-me perguntado: Quem está a formar os profissionais do futuro?

O Norte está-nos sempre a surpreender e a Escola da Ponte só poderia ter nascido em Santo Tirso. Andei viciada num livro que falava sobre inteligência fixa e inteligentemente flexível e ao comentar com um amigo professor, referiu-me que os novos alunos são muito limitados. Conseguem repetir exercícios, mas não conseguem ter agilidade mental para relacionar exercícios. O que o tem deixado bastante perturbado. “A cada ano acontece-me cada vez mais,.. tenho notado esta falta de ginástica mental ano após ano”. Já o Filipe comentou: “Na minha escola o professor X reprova todos os anos mais de metade da turma, talvez não sejam os alunos que estejam errados, talvez seja o professor que tem de repensar o seu modelo de ensino”. E é tão isto! A nossa escola continua num formato sem sentido.

Depois começamos a falar sobre a depressão. “Percebi este ano, que quase todos os meus alunos tomam medicação!!”. Os adolescentes tomam medicação desde muito cedo, o que era a excepção agora é a regra. O que provocará tudo isto? O Leo disse-me que tinha uma aluna excepcional, das melhores, mas por pressão dos pais, ficava insegura e não conseguia concluir os trabalhos. Estava prestes a reprovar, não por falta de talento, mas por falta de confiança. Os pais até enviam e-mails aos professores a perguntar sobre a filha. Não é uma mera adolescente é uma aluna universitária. Ora, outra competência necessária para o futuro — confiança. Sem confiança não conseguimos abraçar o novo, o desconhecido. Os pais desejam a excelência, excelência essa, imposta por uma coisa chamada avaliação qualitativa. Bem, digamos que o problema do ensino começa aqui. Na escola do futuro temos de ser avaliados pela nossa agilidade mental, pela nossa capacidade de resolver problemas e não pelas notas! As competências do século XXI é o mindset. Se a maioria das profissões serão substituídas por máquinas, nós seres humanos teremos de entregar aquilo que uma máquina não consegue entregar — a empatia. Olhemos com atenção para a Índia, um dos povos com maior bondade do mundo, sempre prestes a servir.

É óbvio que na Escola teremos de continuar a aprender a escrever, a ler, precisamos de matemática, mas num formato diferente em que o professor deixa de ser professor e passa a ser o orientador. Toda a vida aprendemos o que o professor diz. A próxima geração necessita de uma aprendizagem corporativa, de partilha, de exploração e essencialmente de questionamento. A aprendizagem irá surgir através da ação real.

A Carolina anda da Escola da Ponte e quando os amigos lhe perguntam pela avaliação, ela levanta o sobrolho. Acha a pergunta mais estranha do mundo. Porque na Escola da Ponte os miúdos estudam para resoluções e não para tirar uma melhor nota. Considerando que vamos viver muitos mais anos, a própria ideia de ensino, de descanso e de reforma perdem sentido! Vejamos, o André disse algo que adorei: se antigamente estávamos habituados a estudar + trabalhar + descansar, agora temos de estudar x trabalhar x descansar. E isto diz tanto sobre a forma como vejo o futuro.

Há quem defenda que temos “Excesso” de educação. Quando me dizem “Não posso fazer porque não aprendi”, eu respondo sempre “vais ao youtube, ele ensina-te”. Já não existe não aprendi… Vejamos as escolas Online, nós aprendemos o que queremos. A própria ideia de dicionário morreu. Agora vamos à Wikipédia. E a wikipédia é o formato do futuro, todos juntos construímos a narrativa. O saber já não está num só lugar, está em várias pessoas que contribuem para esse saber. A escola tem de ser isso mesmo, descentralizada, tal como as empresas. Todos temos de trabalhar para soluções conjuntas.

Percebi depois, que este é o formato do Fashion Makers, nós “acolhemos” o problema do cliente e a “comunidade” dá uma solução, com diferentes visões. Por isso, trabalho com vários freelancers.

Talvez por isso existam cada vez mais micro-negócios, mais freelancers. Porque estamos todos a resolver vários problemas para a sociedade. A própria ideia de ser FREElancer, é hoje visto como algo negativo, mas é precisamente o contrário. Ser freelancer é ser LIVRE para construirmos o nosso percurso. Vale apena espreitarem o festival de Indie Workers que irá decorrer próximo mês!.

“O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.” Alvin Toffler

Joana

Para mais informações

 
FutureJoana Campos Silva