Vintage Meet Modern

 
 

Sonhei que mandaram parar o mundo. Se alguém proibisse criar produtos novos, o que iria acontecer ? 

É engraçado que já tinha escrito o Native Chic, sobre a urgência de voltarmos às origens, mas temos sido invadidos por uma onda de viagens ao passado. As Spice Girls, os Backstreet Boys, o Aladino, o Rei Leão, os Stranger Things numa linguagem revisitada… Querem mais exemplos?

O que tem tudo isto a ver com a moda? Tudo! Agarrámo-nos ao passado com medo de avançar no futuro incerto. Certo? “Antigamente é que era…” estou sempre a ouvir isto!

A terra chegou ao limite e se há coisa que teremos de fazer é repensar o passado, para avançar no futuro. A Catarina no novo podcast do Gonçalo disse algo que adorei: “na ausência descobrimos novas formas”.

Por isso…

1- Voltemos ao vintage sem mofo. Quantas vezes herdamos roupa dos primos, irmãos...  Comprar roupa em segunda mão é o futuro. Novos negócios aproximam-se e estas lojas vão explodir! As marcas irão beneficiar clientes que compram artigos “antigos”.

2- Voltemos aquela ideia “antiga” das costureiras, com roupa por medida. Criar por necessidade e não por vaidade. Estas costureiras irão usar a máquina de costura e o computador. A digitalização é o futuro com o Make to Order.

3- A nova moeda é a troca. Ainda me lembro do meu projeto “princesa troca trapos”. Na impossibilidade de comprar trocava com as minhas amigas roupa. 
4- Voltemos ao aluguer do que precisamos e não estou a falar só de roupa de festa. Com tanto stock no mundo de qualidade a própria H&M está a pensar o que vai fazer. Já pensaram que este pode ser o serviço do futuro? 

O que tenho visto na indústria têxtil em Portugal: 

  • As queimadas de roupa boa, mas com defeito continuam. Os contratos com marcas internacionais proíbem, mas França já avançou nesse sentido!

  • O Dead Stock é o futuro na venda de malhas e texteis parados. (Vejamos o caso da loja online da Tintex ou da Riopele).

  • Todos caminham para a digitalização do sector. As amostras serão feitas em 3D. O 3D veio para ficar e novas escolas vão surgir.

  • Os novos funcionários são pessoas do mundo, a profissão do “comercial” como a conhecemos morreu. Os novos comerciais são os designers, são da inovação, os da sustentabilidade. Capacitação e agilidade mental é a nova forma de recrutar. “O futuro é a qualificação da mente. É educar, é ter gente com capacidade mental, ter inteligencia, é ter criativos, é ter pessoas para a máquina.

  • A entrega responsável continua!, esqueçam os sacos de plásticos. “Os clientes não nos deixam entregar em plástico, por isso fazemos sacos com o desperdício da fábrica”. Matéria prima não é lixo. Lembram-se?

  • As novas fábricas, são as que vendem talento. “Temos de reformular o que é uma fábrica. O artesão deverá vender a sua experiência à fábrica. É ele que define o seu valor, porque a máquina está a substituir o trabalho de repetição. Mas a criatividade só pertence ao ser humano” by Francesca! Como disse a Olga (bordadeira) “o que se faz com as mãos não tem preço.”

  • O futuro deverá projetar-se mais justo. Por isso as fábricas do futuro são as fábricas que vendem b2c.

  • O futuro são as Hubs, são os ecossistemas… por isso acredito cada vez mais na comunidade do Porto Fashion Makers e no formato Meet The Maker. Já estou a desenhar 2020! 💪🏼😝

Joana